quarta-feira, 1 de maio de 2013

A visão de quem entende.


JACQUELINE LEITE
- ASSESSORA MUNICIPAL DE CULTURA
 DE 2005 A 2012

Trabalho na área da cultura???. No meu caso pessoal, aliás, não posso deixar de assinalar uma diferença. De apontar para a distância existente entre o trabalho artístico e o trabalho na administração pública. Não se trata de uma questão de tempo, de entrega, de seriedade ou de amor - porque tempo, entrega, seriedade e amor são comuns a ambas as ocupações. Trata-se de uma diferença qualitativa. De uma diferença que diz respeito à espécie de dedicação que o trabalho na administração pública exige. É uma dedicação que independe do humor ou do capricho pessoal. Uma dedicação cotidiana, constante, pontual e inadiável. Uma dedicação que se impõe como se fosse uma vontade em si mesma ao longo desses oito anos.

MINHA VISÃO DE CULTURA

Cultura não no sentido das concepções acadêmicas ou dos ritos de uma "classe artístico-intelectual". Mas em seu sentido pleno, antropológico. Vale dizer: cultura como a dimensão simbólica da existência social jaguaribana. Como usina e conjunto de signos de cada comunidade e de todo o município. Como eixo construtor de nossas identidades, construções continuadas que resultam dos encontros entre as múltiplas representações do sentir, do pensar, do fazer e da diversidade cultural. Como espaço de realização da cidadania e de superação da exclusão social, seja pelo reforço da auto-estima e do sentimento de pertencimento, seja, também, por conta das potencialidades inscritas no universo das manifestações artístico-culturais com suas múltiplas possibilidades de inclusão socioeconômica. Sim. Cultura, também, como fator econômico, capaz de atrair divisas para o município e de, aqui dentro, gerar emprego e renda.
Não cabe aos gestores municipais fazer cultura, mas, sim, criar condições de acesso universal aos bens simbólicos. Não cabe aos gestores municipais fazer cultura, mas, sim, proporcionar condições necessárias para a criação e a produção de bens culturais, sejam eles materiais, imateriais ou naturais. Não cabe aos gestores municipais fazer cultura, mas, sim, promover o desenvolvimento cultural geral da sociedade. Porque o acesso à cultura é um direito básico de cidadania, assim como o direito à educação, à saúde, à vida num meio ambiente saudável. Porque, ao investir nas condições de criação e produção cultural, estaremos tomando uma iniciativa de consequências imprevisíveis, mas certamente brilhantes e profundas. Na verdade, o munícipio nunca esteve à altura do fazer cultural de nosso povo, nos mais variados ramos da grande árvore da criação simbólica.

 Visibilidade e valorização da cultura jaguaribana?, Há!  Isso só terá consequência se o município, de fato, se desdobrar e se traduzir em ação as políticas públicas de cultura.

“O povo sabe o que quer, mas o povo também quer o que não sabe”.

Muito obrigada.

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