JACQUELINE
LEITE –
- ASSESSORA
MUNICIPAL DE CULTURA –
DE 2005 A
2012
Trabalho na
área da cultura???. No meu caso pessoal, aliás, não posso deixar de assinalar
uma diferença. De apontar para a distância existente entre o trabalho artístico
e o trabalho na administração pública. Não se trata de uma questão de tempo, de
entrega, de seriedade ou de amor - porque tempo, entrega, seriedade e amor são
comuns a ambas as ocupações. Trata-se de uma diferença qualitativa. De uma
diferença que diz respeito à espécie de dedicação que o trabalho na
administração pública exige. É uma dedicação que independe do humor ou do
capricho pessoal. Uma dedicação cotidiana, constante, pontual e inadiável. Uma
dedicação que se impõe como se fosse uma vontade em si mesma ao longo desses
oito anos.
MINHA VISÃO
DE CULTURA
Cultura não
no sentido das concepções acadêmicas ou dos ritos de uma "classe
artístico-intelectual". Mas em seu sentido pleno, antropológico. Vale
dizer: cultura como a dimensão simbólica da existência social jaguaribana. Como
usina e conjunto de signos de cada comunidade e de todo o município. Como eixo
construtor de nossas identidades, construções continuadas que resultam dos
encontros entre as múltiplas representações do sentir, do pensar, do fazer e da
diversidade cultural. Como espaço de realização da cidadania e de superação da
exclusão social, seja pelo reforço da auto-estima e do sentimento de
pertencimento, seja, também, por conta das potencialidades inscritas no
universo das manifestações artístico-culturais com suas múltiplas possibilidades
de inclusão socioeconômica. Sim. Cultura, também, como fator econômico, capaz
de atrair divisas para o município e de, aqui dentro,
gerar emprego e renda.
Não cabe aos
gestores municipais fazer cultura, mas, sim, criar condições de acesso
universal aos bens simbólicos. Não cabe aos gestores municipais fazer cultura,
mas, sim, proporcionar condições necessárias para a criação e a produção de
bens culturais, sejam eles materiais, imateriais ou naturais. Não cabe aos
gestores municipais fazer cultura, mas, sim, promover o desenvolvimento
cultural geral da sociedade. Porque o acesso à cultura é um direito básico de
cidadania, assim como o direito à educação, à saúde, à vida num meio ambiente
saudável. Porque, ao investir nas condições de criação e produção cultural,
estaremos tomando uma iniciativa de consequências imprevisíveis, mas certamente
brilhantes e profundas. Na verdade, o munícipio nunca esteve à altura do fazer
cultural de nosso povo, nos mais variados ramos da grande árvore da criação
simbólica.
Visibilidade e valorização da cultura
jaguaribana?, Há! Isso só terá consequência
se o município, de fato, se desdobrar e se traduzir em ação as políticas
públicas de cultura.
“O povo sabe o que quer, mas o
povo também quer o que não sabe”.
Muito obrigada.
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