quinta-feira, 2 de maio de 2013

Cordel: A feira de Jaguaribe



Resolvi começar com a capa do pequeno livro criado por  Edmundo Diógenes Saldanha (grande poeta jaguaribano). Esse foi o primeiro livro em que ele conseguiu apoio de uma editora. E se Deus permitir Edmundo, esse será o primeiro de muitos. 

De uma capacidade de comunicação excelente, Edmundo nos concedeu uma entrevista. Foi uma honra poder conversar com ele, receber dicas e tal. Não o conhecia, mas, depois de ter sido encarregada a isso, estou gratificada em saber um pouco sobre a história e cultura do meu Jaguaribe. 








A feira de Jaguaribe
Há muitos anos versejo
Porque meu Deus não proíbe,
E dele recebo a ordem
Que dessa forma se exibe:
-“vá buscar tinta e papel
E descreva num cordel
A feira de Jaguaribe”.

Sábado de madrugada
Já tem gente a trabalhar,
No carro ou na carroçada
Tudo começa a chegar;
Logo, ao redor do mercado,
Carro, banca e chapeado
Não há quem possa contar.

E depois do sol raiar
Chega aquela multidão
Moça arrastando carrinho,
Mulher com cesto na mão,
E corre a feira todinha
Aromas de cebolinha,
Cheiro verde e pimentão.

Tudo aqui tem de montão
Penso até que não se acaba
Tem jerimum, tem melão,
Batatinha, beterraba,
Jaca, morango, maçã,
Fruta do conde, romã,
Manga, acerola e goiaba.

Bem à frente outro cenário,
A velha feira do grão
São as lonas estiradas,
Litro de pau e caixão;
Por onde a gente caminha,
Vê vasilhas com farinha
Milho, arroz, fava e feijão.

Alecrim, manjericão,
Orégano, noz-moscada,
Boldo, chá preto, erva doce,
Cascas para garrafada,
Eucalipto, erva cidreira...
Nas bancas da nossa feira
Acho que não falta nada.

Nosso queijo é conhecido,
Nossa manteiga é gostosa,
Aqui, se processa o leite
Com técnica milagrosa;
Tanto quanto o derivado
Ganha nome no mercado
A nossa gente engenhosa.


Chega uma moça bonita
E compra o que lhe convém,
Pagando a mercadoria
Abre um sorriso também;
Somente aquela beleza
Pode igualar-se à grandeza
Que a nossa feira tem.

Desde a rapadura preta
Ao alfenim cor de areia
Na feira se encontra doce,
Jaguaribe é casa cheia,
Quem com glicose se ajeita
Ou não tem contra-receita
compra leva e saboreia
O ouvido até se atrapalha
Confundindo a gritaria,
Diz um feirante:”olha o peixe!”
Outro diz: “olha a bacia!”
Um grita: “tá se acabando!,
Venha cá, vamos comprando,
Só resta uma melancia!”

E na maior correria,
a feira se propagando,
Um mostra a mercadoria
Outro chega pechinchando;
Esses vão negociar,
Já, outros, entram num bar
E findam se embriagando.

Por objetos de argila,
Na feira é grande a procura,
Potes, panelas e jarros.
Ou bicho em miniatura.
Nada parece bizarro,
Deus também deu vida ao barro,
Diz a sagrada escritura.

A centenária cultura
Mostra o nosso artesanato:
Crochê, bordado e filé,
Frutos do tempo e do tato.
O presente enlaça o elo
Mas mãos de um passado belo
Que não se perde o contato.

Nosso comércio, de fato,
Na semana é permanente;
Aos sábados fica intenso,
Diversificadamente;
O encontro comercial
Artístico e cultural
Pertence a toda essa  gente.

As lojinhas e os lojões ,
Em nome da economia,
Vendem roupas e calçados
Com bom preço e garantia;
Ninguém mesmo se acomoda
Vendo as tendências da moda
Que cada fone anuncia.

Satisfeita a freguesia
Tudo vai se destinando:
Ônibus, carros e motos
Vão partindo e buzinando;
No decorrer desse instante
Todo o mercado ambulante
Vai novo rumo tomando.


A feira vai terminando
Cumprindo a sua rotina,
Se vai o povo da roça,
Se vai a bela menina...
Resta ver, um chapeado,
Resmungando embriagado,
Se esparramando na esquina.

E quando tudo termina,
Entra tudo em desmontagem:
O feirante dobra a lona
Quase sem força e coragem;
Quando a banca se destroça,
Num carro ou numa carroça
Se vai aquela bagagem.

 Os três últimos parágrafos , seu Edmundo quem recita no vídeo acima! 

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