Resolvi começar com a capa do pequeno livro criado por Edmundo Diógenes Saldanha (grande poeta jaguaribano). Esse foi o primeiro livro em que ele conseguiu apoio de uma editora. E se Deus permitir Edmundo, esse será o primeiro de muitos.
De uma capacidade de comunicação excelente, Edmundo nos concedeu uma entrevista. Foi uma honra poder conversar com ele, receber dicas e tal. Não o conhecia, mas, depois de ter sido encarregada a isso, estou gratificada em saber um pouco sobre a história e cultura do meu Jaguaribe.
A feira de Jaguaribe
Há
muitos anos versejo
Porque
meu Deus não proíbe,
E
dele recebo a ordem
Que
dessa forma se exibe:
-“vá
buscar tinta e papel
E
descreva num cordel
A
feira de Jaguaribe”.
Sábado
de madrugada
Já
tem gente a trabalhar,
No
carro ou na carroçada
Tudo
começa a chegar;
Logo,
ao redor do mercado,
Carro,
banca e chapeado
Não
há quem possa contar.
E
depois do sol raiar
Chega
aquela multidão
Moça
arrastando carrinho,
Mulher
com cesto na mão,
E
corre a feira todinha
Aromas
de cebolinha,
Cheiro
verde e pimentão.
Tudo
aqui tem de montão
Penso
até que não se acaba
Tem
jerimum, tem melão,
Batatinha,
beterraba,
Jaca,
morango, maçã,
Fruta
do conde, romã,
Manga,
acerola e goiaba.
Bem
à frente outro cenário,
A
velha feira do grão
São
as lonas estiradas,
Litro
de pau e caixão;
Por
onde a gente caminha,
Vê
vasilhas com farinha
Milho,
arroz, fava e feijão.
Alecrim,
manjericão,
Orégano,
noz-moscada,
Boldo,
chá preto, erva doce,
Cascas
para garrafada,
Eucalipto,
erva cidreira...
Nas
bancas da nossa feira
Acho
que não falta nada.
Nosso
queijo é conhecido,
Nossa
manteiga é gostosa,
Aqui,
se processa o leite
Com
técnica milagrosa;
Tanto
quanto o derivado
Ganha
nome no mercado
A
nossa gente engenhosa.
Chega
uma moça bonita
E
compra o que lhe convém,
Pagando
a mercadoria
Abre
um sorriso também;
Somente
aquela beleza
Pode
igualar-se à grandeza
Que
a nossa feira tem.
Desde
a rapadura preta
Ao
alfenim cor de areia
Na
feira se encontra doce,
Jaguaribe
é casa cheia,
Quem
com glicose se ajeita
Ou
não tem contra-receita
compra
leva e saboreia
O
ouvido até se atrapalha
Confundindo
a gritaria,
Diz
um feirante:”olha o peixe!”
Outro
diz: “olha a bacia!”
Um
grita: “tá se acabando!,
Venha
cá, vamos comprando,
Só
resta uma melancia!”
E
na maior correria,
a
feira se propagando,
Um
mostra a mercadoria
Outro
chega pechinchando;
Esses
vão negociar,
Já,
outros, entram num bar
E
findam se embriagando.
Por
objetos de argila,
Na
feira é grande a procura,
Potes,
panelas e jarros.
Ou
bicho em miniatura.
Nada
parece bizarro,
Deus
também deu vida ao barro,
Diz
a sagrada escritura.
A
centenária cultura
Mostra
o nosso artesanato:
Crochê,
bordado e filé,
Frutos
do tempo e do tato.
O
presente enlaça o elo
Mas
mãos de um passado belo
Que
não se perde o contato.
Nosso
comércio, de fato,
Na
semana é permanente;
Aos
sábados fica intenso,
Diversificadamente;
O
encontro comercial
Artístico
e cultural
Pertence
a toda essa gente.
As
lojinhas e os lojões ,
Em
nome da economia,
Vendem
roupas e calçados
Com
bom preço e garantia;
Ninguém
mesmo se acomoda
Vendo
as tendências da moda
Que
cada fone anuncia.
Satisfeita
a freguesia
Tudo
vai se destinando:
Ônibus,
carros e motos
Vão
partindo e buzinando;
No
decorrer desse instante
Todo
o mercado ambulante
Vai
novo rumo tomando.
A
feira vai terminando
Cumprindo
a sua rotina,
Se
vai o povo da roça,
Se
vai a bela menina...
Resta
ver, um chapeado,
Resmungando
embriagado,
Se
esparramando na esquina.
E
quando tudo termina,
Entra
tudo em desmontagem:
O
feirante dobra a lona
Quase
sem força e coragem;
Quando
a banca se destroça,
Num
carro ou numa carroça
Se
vai aquela bagagem.
Os três últimos parágrafos , seu Edmundo quem recita no vídeo acima!

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